Cada vez mais, incidentes de segurança têm origem em fornecedores e parceiros que fazem parte da operação. A operação de uma empresa hoje depende de dezenas, às vezes centenas, de terceiros, o que faz com que a continuidade do negócio, a proteção de dados e o atendimento às exigências regulatórias estejam diretamente ligados à forma como as organizações gerenciam os riscos de terceiros.
Nesse contexto, a Gestão de Riscos de Terceiros deixou de ser uma atividade isolada da área de TI e Segurança da Informação e passou a se configurar como um processo transversal dentro da organização. Na prática, avaliar um fornecedor envolve decisões técnicas, jurídicas, de privacidade, compras e negócio, exigindo coordenação entre múltiplas áreas. Entender como essa responsabilidade se distribui e por que processos manuais já não conseguem acompanhar o volume e a complexidade desse ecossistema é o primeiro passo para construir uma operação mais resiliente e segura.
O desafio crescente da gestão de riscos de terceiros nas organizações
A dependência de terceiros representa hoje um dos maiores vetores de risco para as organizações. Dados da KPMG (2025) revelam que 73% das empresas sofreram interrupções significativas causadas por fornecedores nos últimos três anos. Quando o processo de TPRM não está devidamente estruturado, os impactos costumam ser cumulativos, afetando as esferas financeira, operacional, reputacional e regulatória. Nesse contexto, confiar a segurança da operação a controles manuais cria um cenário de vulnerabilidade, onde falhas tendem a ser descobertas tardiamente, quando o dano já está instalado.
TPRM como processo organizacional transversal – O papel das áreas de negócio no suporte e eficácia do TPRM
Diferente de outros processos de conformidade isolados, o TPRM não pertence a uma única área da organização. Ele é uma disciplina de governança que atravessa a estrutura organizacional, pois o risco de um terceiro se manifesta em diferentes camadas da empresa. Para que a gestão seja efetiva, é fundamental compreender a responsabilidade de cada área:
- TI e Segurança da Informação: Está área é responsável por avaliar os riscos técnicos associados ao fornecedor e à sua integração com o ambiente da contratante. Essa avaliação envolve controles de acesso, gestão de identidades, criptografia, segregação de ambientes, registro de logs, resiliência da infraestrutura e a capacidade de garantir a disponibilidade e a integridade dos serviços contratados. A área atua na identificação dos riscos de ataques cibernéticos, vazamento de dados e indisponibilidades que possam afetar a contratante.
- Privacidade e DPO (Data Protection Officer): Atua na análise do tratamento de dados pessoais realizado pelo fornecedor. Seu envolvimento é importante para compreender quais dados são tratados, para quais finalidades e qual o papel do terceiro na relação, como operador, controlador ou controlador conjunto, garantindo que o tratamento esteja adequado às exigências da LGPD.
- Jurídico: Responsável por traduzir os riscos identificados em salvaguardas contratuais adequadas. Essa área define cláusulas relacionadas à confidencialidade, segurança da informação e proteção de dados, bem como responsabilidades, penalidades por descumprimento, direitos de auditoria e obrigações em caso de incidentes. Na prática, o Jurídico também atua na negociação dessas cláusulas, avaliando limites de responsabilidade, condições de subcontratação e apoiando a tomada de decisão quando há necessidade de aceitar riscos residuais em fornecedores estratégicos.
- Compras ou Suprimentos (Área responsável pela contratação): Atua como a porta de entrada dos fornecedores na organização. É responsável por estruturar e padronizar o fluxo de contratação, garantindo que nenhum terceiro seja formalizado sem passar pelas etapas mínimas de avaliação definidas pela empresa. Essa área normalmente conduz a homologação comercial e verifica a capacidade operacional e financeira do fornecedor, assegurando que o processo de onboarding esteja alinhado às diretrizes de governança e gestão de riscos, mesmo em ambientes menos formalizados.
- Áreas de Negócio (Solicitantes): São as responsáveis pelo relacionamento direto com o fornecedor e pelo uso efetivo do serviço contratado. Cabe a essas áreas justificar a necessidade da contratação, acompanhar o desempenho do fornecedor no dia a dia e monitorar os níveis de serviço acordados. Além disso, devem estar cientes dos riscos residuais identificados nas avaliações e participar das decisões sobre a continuidade da parceria, o aceite de exceções e a necessidade de reavaliações sempre que houver mudanças relevantes no escopo ou na criticidade do serviço.
A falta de um modelo de governança que conecte essas áreas gera decisões subjetivas e fragmentadas. Quando o fluxo de informação não é contínuo, a organização corre o risco de aprovar fornecedores que, embora comercialmente viáveis, representam ameaças críticas à segurança cibernética ou à conformidade regulatória.
Por que a gestão manual impede o TPRM de escalar?
Segundo a Deloitte (2025), 55% das empresas consideram o mapeamento e a gestão de riscos de terceiros um desafio crítico. Ainda assim, muitas organizações tentam administrar esse ecossistema por meio de planilhas, trocas de e-mails e controles descentralizados, criando uma barreira silenciosa à evolução da governança.
Esse modelo manual sobrecarrega as equipes com tarefas operacionais, fragmenta a informação entre diferentes áreas e dificulta a visibilidade do risco de forma integrada. Sem automação, o esforço cresce de maneira desproporcional ao valor gerado, fazendo com que a gestão de riscos deixe de ser estratégica e passe a se limitar a atividades administrativas, o que compromete a maturidade do TPRM ao longo do tempo.
Para um processo que envolve múltiplos departamentos, essa abordagem manual, centrada em planilhas, apresenta limitações estruturais:
- Descentralização da Informação: As informações ficam espalhadas em diferentes controles e versões, dificultando a visibilidade em tempo real para todos os envolvidos. Avaliações realizadas por uma área nem sempre refletem o status mais atualizado considerado por outras, o que gerar inconsistências na tomada de decisão.
- Dificuldade de Escala: À medida que o número de parceiros cresce, o esforço manual para coletar evidências e monitorar riscos torna-se desproporcional à capacidade da equipe, resultando em análises superficiais.
- Perda de Rastreabilidade: A ausência de um histórico centralizado prejudica auditorias e a análise de evolução de riscos ao longo do tempo.
Substituir processos manuais por uma gestão automatizada não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas de garantir que a transversalidade do risco seja devidamente mapeada e tratada.
Do risco técnico ao processo de negócio
Para que o TPRM evolua, ele deve ser tratado como um processo de negócio contínuo. Isso exige critérios claros de criticidade, já que nem todo fornecedor demanda o mesmo nível de análise, além do envolvimento da alta liderança. Sem patrocínio executivo, a colaboração entre áreas técnicas e de negócio se enfraquece, reduzindo a efetividade das ações de mitigação.
Quando bem estruturada, a gestão de riscos de terceiros gera indicadores confiáveis que permitem à diretoria compreender o nível real de exposição da organização, apoiar decisões de priorização e direcionar investimentos de forma mais objetiva, com base em risco e impacto para o negócio.
Fortalecendo a Governança com a SimpleWay
A SimpleWay apoia organizações na implementação e evolução da Gestão de Riscos de Terceiros por meio de uma plataforma que centraliza e automatiza todo o ciclo de vida do fornecedor.
- Integração 360º: Análise integrada de Cyber, LGPD e IA.
- Padronização: Questionários e critérios alinhados a frameworks globais (ISO, NIST).
- Rastreabilidade Completa: Histórico pronto para auditorias e fiscalizações.
Ao automatizar o TPRM, as empresas conseguem garantir que a transversalidade do processo seja respeitada, permitindo que cada área contribua com sua expertise em um ambiente controlado e auditável.
Aprofunde seu conhecimento sobre TPRM
Sua empresa possui clareza sobre quais fornecedores são realmente críticos para a operação e quais riscos estão associados a cada um deles? O primeiro passo para uma governança eficiente é reconhecer que o risco de terceiros é uma responsabilidade compartilhada por toda a organização.
Para auxiliar as empresas a estruturarem essa governança de forma prática e estratégica, preparamos materiais exclusivos em nosso portal:
- 🎙️ Podcast SimpleWay: Um conteúdo direto sobre como engajar a liderança e envolver as áreas não técnicas no processo de TPRM.
- 📄 Guia de Implementação: Direcionamentos para transformar o TPRM em um pilar de maturidade organizacional.
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